Publicado em 06.02.2023
Molly-Bloom, com Bete Coelho, direção de Daniela Thomas, no Teatro Unimed

Teatro Unimed apresenta, até o dia 26 de março, o espetáculo Molly-Bloom, estrelado pela atriz Bete Coelho, quetambém assina a direção ao lado de Daniela Thomas e divide a cena com o ator Roberto Audio. Em nova montagem da Cia.BR116, o texto é formado pelas partes finais da obra Ulysses, de James Joyce, cuja primeira publicação fez 100 anos em 2022, uma espécie de post-scriptum de toda ação do clássico do autor irlandês.

Molly-Bloom, com tradução de Caetano W. Galindo e codireção de Gabriel Fernandes, é o fluxo ininterrupto e fascinante do pensamento da personagem, que nunca deixou de ser um desafio e uma tentação para leitores, críticos e, talvez acima de todos, para as atrizes. Os escritos de James Joyce assim como de outros autores concretos da literatura e dramaturgia mundial foram apresentados a Bete Coelho por Haroldo de Campos em saraus e eventos culturais. Desde então a atriz pensava em levar Molly-Bloom aos palcos.

A trama

Em cena, Leopold Bloom [Roberto Audio], icônico personagem da literatura mundial, retorna a sua casa após flanar por cerca de 16 horas pela cidade de Dublin, capital da Irlanda. Sua esposa, Molly Bloom [Bete Coelho], já está dormindo, ou finge estar. Ele, exausto, deita na cama com cautela para não a acordar e cai no sono. Molly, então, parte para sua odisseia mental, singrando o mar de seus pensamentos. Entre travesseiros e fluidos líquidos e gasosos, navega as águas do passado, a infância em Gibraltar, seu pai, os enamoramentos, o primeiro beijo, o filho morto; navega as águas do presente, o casamento, o adultério, a barriga que está ficando grandinha, a conjectura de talvez parar com a cerveja no jantar, a filha; e as águas fascinantes e traiçoeiras da libido, do sexo, do proibido.

Solidão a dois

A atriz e diretora Bete Coelho explica que, em Molly-Bloom, a Cia.BR116 decidiu não encenar apenas o célebre monólogo final, desencaixando-o do livro como um fragmento isolado. “Optamos por incluir na montagem trechos do episódio anterior, onde Leopold Bloom, finalmente sozinho depois de um dia longo e cansativo, se prepara para entrar na cama com a esposa que, ele sabe, cometeu adultério naquele dia”. Trata-se de um gesto aparentemente discreto, essa ligeira manipulação do texto que reconecta Molly e Bloom, mas com um efeito profundamente transformador. Trazer o final do capítulo anterior permite ao público conceber de maneira muito mais plena aquele mundo, aquelas pessoas e a integralidade do livro Ulysses. Bete Coelho também destaca o pensamento revolucionário da consciência e da sexualidade femininas presentes nas falas de Molly Bloom.

Para Caetano W. Galindo, que assina a tradução e a consultoria dramatúrgica de Molly-Bloom“se a terceira parte do romance de Joyce trata da volta para casa, e nela finalmente vemos Bloom voltar ao seu ‘reino’ usurpado, mas ainda acolhedor, o que a encenação realiza ao reintegrar ao livro como um todo as famosas falas foi uma operação da mesma natureza: ela trouxe Molly, que passou todo aquele dia 16 de junho de 1904 sem sair do seu endereço, de certa forma de volta para ‘casa’, fazendo com que sua voz de novo converse com a do marido, fazendo com que a noite apareça novamente como sequência e inversão dos valores do dia, com que a lua surja, aos poucos, na medida em que o sol desaparece”.

Ângulos diversos

Na encenação de Molly-Bloom, Daniela Thomas criou uma cenografia para que o público assista ao espetáculo como se lê a obra clássica de Joyce, de vários ângulos. O cenário multimídia é um convite para que a plateia esteja junto à cena, vendo pequenos detalhes da montagem. “A ideia é trazer a amplitude do livro para o palco oferecendo maneiras diferentes de olhar a mesma cena, sem induzir a uma única compreensão”, pontua Bete Coelho.

Início da programação 2023 do Teatro Unimed

“O Teatro Unimed tem se consolidado na produção artística nacional como um espaço de alta qualidade, seja por sua programação consistente e plural, seja por seus elementos técnicos e de máximo conforto para o público. Incluir na rotina atividades culturais e de lazer, juntamente com familiares e amigos, é fator diretamente ligado à promoção da saúde mental e do bem-estar “, afirma Luiz Paulo Tostes Coimbra, presidente da Unimed Nacional.

“A semana do dia 25 de janeiro, data tão marcante para nós que amamos a cidade de São Paulo, tem se consolidado a cada ano como o período de início da programação do Teatro Unimed. Estamos muito orgulhosos de estrear a agenda 2023 com um espetáculo tão relevante, com profissionais altamente conceituados e aclamados pela crítica. Ao mesmo tempo, o Edifício Santos-Augusta está sempre totalmente aberto ao público que mora em São Paulo ou está de visita na cidade e que, além do Teatro Unimed, pode também usufruir da excelência do Perseu Coffee House, no térreo, e do Casimiro Ristorante dal Tatini, no quarto andar”, convida Fernando Tchalian, CEO da desenvolvedora Reud, controladora do Teatro Unimed.

Teatro Unimed

Ed. Santos Augusta, Al. Santos, 2159, Jardins, São Paulo
Curta temporada: até 26 de março de 2022 (não haverá espetáculo de 17 a 19 de fevereiro, Carnaval)
Horários: sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 18h
Valores: Inteira – R$ 140,00 (plateia), R$ 100,00 (balcão). Meia-entrada – R$ 70,00 (plateia) e R$ 50,00 (balcão).
Clientes Unimed têm 50% de desconto com apresentação da carteirinha. Descontos não cumulativos.
Horários da Bilheteria: Sexta e sábado, das 12h30 às 20h30. Domingos, das 10h30 às 18h30.
Duração: 75 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 249 lugares
Gênero: Comédia dramática
Acessibilidade: Ingressos para cadeirantes e acompanhantes podem ser reservados pelo e-mail contato@teatrounimed.com.br
Recomenda-se o uso de máscara durante todo o espetáculo.
Estacionamento com manobrista: R$ 25,00 (primeira hora) + R$ 10,00 (por cada hora adicional)
Vendas pela internet: www.sympla.com.br/teatrounimed

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